“Casa de massagens” em Lisboa… era afinal um bordel

massagem

O Ministério Público acabou de acusar um casal que possuía um bordel travestido de casa de massagens em Lisboa; um contabilista que os ajudava a fazer contratos de trabalho fictícios para imigrantes brasileiros e paquistaneses (homens e mulheres) que pagavam para ficar legais em Portugal; um brasileiro envolvido nos dois “negócios” (prostituição e contratos fictícios) e, finalmente, a empresa que servia de fachada para contratar os imigrantes – “Espaço Bem, Terapia do Corpo”.

A acusação resultou de uma longa investigação criminal do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) à rede alegadamente montada pelos cinco arguidos agora acusados dos crimes de tráfico de pessoas, auxílio à imigração ilegal, lenocínio e falsificação de documentos.

Simone foi a primeira vítima no negócio da prostituição e do tráfico de pessoas. A brasileira foi parar à “casa de massagens” Wakamaya, na Avenida Almirante Reis, em Lisboa, convencida de que iria trabalhar para um cabeleireiro. Mas o espaço era apenas um bordel encapotadoe assim funcionou durante três anos (de 2010 a 2013).

Segundo a acusação, a que o DN teve acesso, Simone recebeu uma carta convite no Brasil e viu a sua viagem para Portugal paga por Egenildo (um dos arguidos). Chegou a Lisboa com o filho de dois anos e foi transportada por Egenildo para o centro de massagens Wakamaya. No centro, foi apresentada à dona do espaço, Naphtalia (arguida) que a convidou a tomar um duche. Quando a jovem tomava duche, Egenildo entregou-lhe uma peça de lingerie e ordenou-lhe que a vestisse pois já tinha um cliente à espera. Simone perguntou o que tinha de fazer e terá ouvido esta resposta: “Faz o que costumas fazer com o teu marido e não te esqueças que me deves 850 euros da viagem e carta convite”.

Naphtalia e Egenildo levaram o filho menor de Simone para outra divisão enquanto a mulher mantinha relações sexuais com um cliente. A partir daí, a brasileira nunca mais viu a cor do dinheiro porque alegavam sempre que aquele servia para cobrir a dívida da viagem, da ama do filho menor, contas de táxi e contribuições para a Segurança Social. Simone ainda manteve várias vezes relações sexuais com o contabilista Henrique Santos (outro arguido), de 65 anos, gratuitamente, como forma de pagar o processo de legalização.

Na casa de massagens trabalharam, como prostitutas, mulheres brasileiras e de outras nacionalidades, ilegais em Portugal, algumas trazidas através de cartas convite ou aliciadas por anúncios na internet ou no jornal “Correio da Manhã”. Segundo a acusação, todas (e foram identificadas sete), terão feito serviços sexuais gratuitos ao contabilista.

O negócio da legalização de imigrantes era concretizado usando a empresa “Espaço Bem, Terapia do Corpo”, que foi a entidade empregadora ficítica para, pelo menos, 13 estrangeiros, entre brasileiros e paquistaneses, homens e mulheres. Os imigrantes terão terão pago quantias entre os 400 e os 500 euros à rede a troco da regularização em Portugal.

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